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Criação: 19/08/26 17:01

Das ruas para o lar: uma em cada quatro pessoas acolhidas nas Vilas Reencontro da Prefeitura deixa equipamento e conquista autonomia

Serviço pioneiro oferece moradia transitória e apoio à reconstrução de trajetórias de vida
Agência SampaNews

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Vida nova, com muita dignidade, independência e autonomia. Desde a criação do Programa Reencontro, em 2022, 1.358  pessoas acolhidas pelo projeto já deixaram o serviço de moradia transitória de uma das 13 unidades da Vila Reencontro — equivalente a uma em cada quatro entre os 5.323 atendidos no período. Apenas no primeiro semestre deste ano, 436 atendidos do serviço conquistaram a sua independência, evidenciando o avanço consistente da política pública da atual gestão na promoção da autonomia das famílias.

Jandira Silva Santos, 53 anos, é uma dessas pessoas que, após viverem um período na Vila, retomaram a rotina de uma forma mais estruturada. Atualmente, ela é uma das beneficiadas do programa de auxílio-aluguel pago pela Prefeitura e celebra essa nova fase da vida ao lado dos filhos Gustavo, 16 anos, e Guilherme, 17 anos.

“É muito bom a gente ser independente, conseguir conquistar nossas coisinhas e viver em paz. Esse programa me ajudou muito, e ainda ajuda. Quando vejo alguém em dificuldade, me reconheço ali. Paro, converso e aconselho a pessoa: ‘procure uma unidade do CRAS ou um assistente social’”, diz Jandira, que hoje tem um CEP para chamar de seu, em Cidade Líder, na Zona Leste.

Natural de Vitória da Conquista (BA) e morando em São Paulo há 45 anos, Jandira trabalha como auxiliar de serviços gerais em um condomínio. A vaga foi conquistada durante um mutirão do Cate (Centro de Apoio ao Trabalho e Empreendedorismo), outro serviço importante oferecido pela Prefeitura. Ela conta que a passagem pela Vila Reencontro foi fundamental para o processo de reconstrução pessoal e familiar. 

“Cheguei lá (na Vila) apenas com a roupa do corpo, eu e meus filhos”, explica a ex-acolhida da Vila Reencontro Guaianases II. Após sofrer violência por parte da ex-sogra, que lhe quebrou o braço, Jandira foi parar nas ruas. Ao lado dos dois filhos pequenos, tomou a difícil decisão de romper com o ciclo de violência e buscou apoio no Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) de sua região, que a encaminhou para os serviços de acolhimento da Prefeitura.

Programa tem como foco a autonomia

As Vilas Reencontro integram a rede socioassistencial do município de São Paulo como um serviço de moradia transitória, voltado principalmente a famílias que já estiveram em situação de rua. A iniciativa oferece um ambiente mais estruturado e estável, criando condições para o fortalecimento de vínculos e a construção de novos projetos de vida.

Com foco na autonomia, o programa atua de forma intersetorial, articulado a diversas políticas públicas, como habitação, assistência e desenvolvimento social, direitos humanos e cidadania, saúde, trabalho e renda, educação, segurança alimentar e nutricional, além de cultura, esporte e lazer.

As Vilas também guardam histórias de pessoas que atravessaram continentes em busca de um recomeço. É o caso de Monica Ndombaxi, imigrante angolana e mãe solo de três filhos. “Se não fosse a Vila Reencontro e a Assistência, eu e meus filhos estaríamos morando na rua”, afirma.

Monica chegou ao Brasil em busca de oportunidades e, em apenas dois meses no acolhimento, conseguiu um emprego com apoio da equipe técnica. Com a renda, alugou uma casa e garantiu mais estabilidade e um endereço fixo para a família. “A gerência da Vila me ajudou a conseguir um emprego e também consegui uma vaga na creche. Me ajudou muito”, relembra.

A presença de imigrantes nas Vilas Reencontro também reforça o papel de São Paulo como cidade acolhedora. Atualmente, cerca de 1.038 estrangeiros, de mais de 30 nacionalidades, estão acolhidos no serviço. Em 2026, foram registradas 136 saídas qualificadas de imigrantes e, desde 2022,  289 conquistaram independência e saíram dos equipamentos.

Sobre o Programa Reencontro

Com 3.748 vagas distribuídas em 13 unidades, o Programa Reencontro segue em expansão, ampliando a capacidade de atendimento e fortalecendo a atuação integrada da rede socioassistencial. Somente em 2025, as Vilas Reencontro registraram 3.251 acolhimentos e 652 saídas qualificadas, com a entrega das unidades Cidade Tiradentes e Armênia I.
No início deste ano, foi inaugurada a Vila Reencontro Armênia II e até o final do ano, também estão previstas as implementações das Vilas Jabaquara III, com 520 novas vagas, e São Mateus I e II, que somarão 792 vagas adicionais.
Estruturado em três eixos, conexão, cuidado e oportunidade, o programa vai além da oferta de moradia. A disponibilização de cursos profissionalizantes e outras estratégias de inclusão produtiva reforça o compromisso com a autonomia e a geração de renda.
São consideradas saídas qualificadas os casos de moradia autônoma, retorno à convivência familiar (nuclear ou extensa) e inserção no mercado de trabalho. Os resultados consolidam o programa como uma importante porta de saída da rede socioassistencial, ampliando as perspectivas de vida com mais independência e segurança.

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