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Criação: 29/08/26 11:30

Merenda personalizada: para cada aluno, um tipo de refeição

Na Rede Municipal de Ensino da capital, o cardápio pode ser adequado individualmente para atender estudantes que precisam de cuidados específicos com a alimentação
Agência SampaNews

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Além de fornecer refeições equilibradas do ponto de vista nutricional a todos os alunos da Rede Municipal, a Prefeitura de São Paulo oferece atendimento especial aos que necessitam de alimentação personalizada. Em 2026, 25.712 estudantes matriculados nas escolas municipais da cidade são atendidos por uma alimentação escolar especial, segundo dados oficiais. 

O número representa crescimento de 39% em relação a 2024, quando 18.472 alunos recebiam refeições adaptadas às suas necessidades. Atualmente, o serviço está presente em 3.436 unidades educacionais da rede e contempla estudantes com alergias, intolerâncias, doenças metabólicas, dificuldades de mastigação ou deglutição e outras restrições alimentares temporárias ou permanentes.

O objetivo da Prefeitura é oferecer uma alimentação escolar adequada a bebês, crianças e demais estudantes que necessitem de atenção nutricional individualizada, considerando condições específicas de saúde ou hábitos alimentares, como o vegetarianismo. Além de atender às necessidades de cada aluno, a proposta busca garantir que todos possam participar das refeições na escola de forma adequada, com variedade e qualidade, ampliando também o repertório alimentar.

É o caso de Caio Alves de Souza, de 10 anos, estudante da EMEF Deputado Cyro de Albuquerque, no Campo Limpo, Zona Sul da cidade. Criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e seletividade alimentar, Caio, antes de ingressar na unidade, levava de casa lanches como bolacha recheada e consumia muitos alimentos industrializados.

“Ele tinha uma seletividade muito grande. Gostava mais de arroz com frango, sopa com poucos legumes e pãozinho sem manteiga. Não gostava de feijão. Hoje, aos poucos, ele já consegue comer feijão, alface, grão-de-bico, cenoura cozida e outros alimentos”, conta a mãe, Sônia Maria Alves de Souza, 50 anos. “Ele vê os coleguinhas comendo e isso incentiva. Está evoluindo bem. É muito gratificante ver meu filho comendo bem e junto com as outras crianças”, completa Sônia.

Para Caio, a experiência é positiva: “Eu gosto da comida daqui da escola, principalmente a sopa. E é muito bom poder comer junto dos meus amigos”, diz o estudante.

Mais do que receber um prato diferente, o estudante passa a ter sua necessidade considerada dentro da rotina escolar. As adaptações são definidas a partir da documentação apresentada pela família e analisadas individualmente pelas nutricionistas da Coordenadoria de Alimentação Escolar (CODAE). O objetivo é garantir que a refeição seja segura, equilibrada e adequada às necessidades de cada aluno.

As adaptações podem incluir preparações sem glúten, sem lactose, hipossódicas, brandas ou pastosas, entre outras. A Secretaria Municipal de Educação (SME) mantém informativos técnicos específicos para diferentes situações, como alergia ou intolerância ao leite de vaca, alimentação vegetariana, alimentação no Transtorno do Espectro Autista, consistência dos alimentos e alimentação por motivos religiosos.



Planejamento
Por trás de cada refeição adaptada há um trabalho técnico que começa antes de o alimento chegar ao prato. Os cardápios da rede são elaborados por nutricionistas da CODAE e planejados de acordo com as necessidades nutricionais dos estudantes e o período de permanência nas unidades educacionais. 

As preparações seguem as diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e são orientadas pelo Guia Alimentar para a População Brasileira, com prioridade para alimentos in natura, variedade e respeito à sazonalidade e à cultura alimentar.

A alimentação especial faz parte de uma operação muito maior. Diariamente, são servidas mais de 2 milhões de refeições nas escolas da rede municipal de ensino. Em uma rede desse porte, oferecer uma alimentação adequada significa administrar uma complexa operação de planejamento, compras, logística e preparo. A Prefeitura conta com equipes multidisciplinares, que atuam nas diferentes etapas do programa, do planejamento dos cardápios à qualidade e à gestão da alimentação escolar. 

Para Fabíola Caus Simões, 52 anos, nutricionista da CODAE, o trabalho busca atender às restrições e, ao mesmo tempo, ampliar o repertório alimentar dos estudantes. “A gente coloca os demais alimentos perto da criança, mesmo que ela não aceite, para uma aproximação gradual. A alimentação escolar também tem caráter educativo: o objetivo é que, aos poucos, ela aprenda a conhecer, comer e gostar de novos alimentos junto com os colegas.”

A nutricionista explica que as restrições também são atendidas com substituições equivalentes: “Se o aluno tem alergia ao glúten, vamos oferecer um pão sem glúten. Se tiver intolerância à lactose, substituímos por um creme vegetal sem lactose ou leite sem lactose, mantendo a mesma proposta do alimento oferecido aos demais alunos.”

Do pedido da família ao prato
Na prática, a solicitação de alimentação especial começa na própria unidade educacional. O responsável pelo estudante deve apresentar a documentação atualizada e detalhada à escola, que encaminha a solicitação para análise técnica da CODAE. Após a análise, a alimentação passa a ser oferecida de acordo com as orientações estabelecidas pelos nutricionistas da SME/CODAE.

O trabalho envolve não apenas a definição dos alimentos que podem ou não ser consumidos, mas também cuidados no preparo, manipulação e na oferta da refeição, de acordo com a necessidade de cada estudante.

Na EMEF Deputado Cyro de Albuquerque, Sônia, a mãe de Caio, acompanha esse processo também como cozinheira da escola há oito anos. As refeições são identificadas e preparadas conforme a necessidade de cada aluno, com utensílios separados para evitar contaminações.

“Cada criança tem sua necessidade e tudo é preparado conforme isso. Quando há uma restrição mais grave, também temos utensílios separados. É tudo separado para não haver contaminação”, diz Sônia, que completa: “Eu tento passar essa tranquilidade para outras mães, porque os filhos delas são muito bem cuidados aqui. É maravilhoso que não precisem trazer o lanchinho de casa e possam ter uma alimentação saudável na escola.”

No caso de estudantes com TEA, a alimentação também pode contribuir para a socialização. Fabíola explica que, quando não há uma necessidade alimentar específica, a criança deve participar da mesma refeição dos colegas. “Quando você compartilha o alimento na mesma mesa, está tornando o colega o seu companheiro. Daí vem a origem da palavra companheiro, aquele que compartilha o mesmo pão. Assim, você reforça os laços afetivos e promove a inclusão”, explica a nutricionista.

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