Secretaria Executiva de Segurança Alimentar e Nutricional e de Abastecimento
A poucos dias da premiação IFORS 2026, entenda a metodologia de gestão de estoque do Banco de Alimentos finalista do prêmio

Escrito por: Giovanna Lameiras | Editado por: Enzo Sapio
São Paulo, julho de 2026 — Entre os dias 12 e 17 de julho de 2026, na Áustria, uma iniciativa desenvolvida em parceria entre a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Executiva de Segurança Alimentar e Nutricional e de Abastecimento (SESANA), e pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Biometria do Instituto de Biociências de Botucatu (UNESP) e do Centro de Pesquisa Operacional e Análise de Decisão da University of Portsmouth (Reino Unido) poderá receber um dos principais reconhecimentos internacionais na área de Pesquisa Operacional para o Desenvolvimento: o IFORS Prize for OR in Development 2026.
Concedido a cada três anos, o IFORS Prize é uma premiação internacional que reconhece iniciativas que utilizam ciência de dados e pesquisa operacional para aprimorar a eficiência na gestão de recursos e gerar impactos sociais positivos em áreas como segurança alimentar, saúde, educação e sustentabilidade. Entre os seis projetos finalistas desta edição, a metodologia em questão é desenvolvida para o Banco de Alimentos, um dos programas de combate ao desperdício da pasta, e que amplia o acesso à alimentação de qualidade para pessoas em situação de vulnerabilidade social.
“A iniciativa surgiu a partir de visitas técnicas junto ao Banco de Alimentos, nas quais foram identificados desafios relacionados à gestão de estoque, distribuição de alimentos e tomada de decisão operacional. O Banco de Alimentos tornou-se objeto do estudo justamente por representar um ambiente de alta relevância social, com desafios logísticos complexos e grande potencial de impacto público”, disse Rhyan Rampazzo, pesquisador de pós-graduação e um dos responsáveis pela implementação da metodologia, ao lado da Profa. Dra. Daniela Cantane.
Na prática, a automação realizada no Banco de Alimentos parte de um aplicativo que substitui processos antes executados manualmente ou por meio de planilhas. Segundo Rhyan, a metodologia de Pesquisa Operacional (PO) integra, em sua base, dados operacionais e de controle, indicadores de vulnerabilidade social e modelos matemáticos voltados à gestão de estoque e distribuição de alimentos, em uma estrutura digital integrada e automatizada de apoio à decisão.
Com o avanço, diferentes fluxos do Banco de Alimentos, como controle de estoque, priorização de distribuição dada a condição do alimento, rastreabilidade operacional, período de diferenciação entre doações de entidades socioassistenciais e até a geração de cenários para suporte à tomada de decisão dos gestores públicos e equipes técnicas, são mais vislumbrados, podendo ser pensados de forma estratégica e efetiva, além de reduzir o tempo necessário para análise e gestão dos itens alimentícios, considerando o elevado volume de produtos recebidos e administrados pelo equipamento de segurança alimentar em questão.
Para se ter dimensão da escala de atuação do Banco de Alimentos, apenas em 2025 foram recebidas 630 toneladas de alimentos, das quais 577 toneladas foram destinadas à doação, enquanto o restante seguiu para descarte ou compostagem. Em um volume tão elevado de itens, a metodologia automatizada se mostra essencial, pois auxilia a contagem, o registro, e a organização logística dos produtos de forma mais eficiente, reduzindo a necessidade de controles manuais e permitindo uma gestão mais ágil e precisa de todo o fluxo de recebimento e distribuição.
Apesar dos estudos terem sido iniciados em 2021 e se desenvolvidos de forma progressiva por pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Biometria do Instituto de Biociências de Botucatu (UNESP), a metodologia passou a ser aplicada no Banco de Alimentos entre 2023 e 2024 após parceria com a Prefeitura de São Paulo, ainda em processo contínuo de desenvolvimento, validação e refinamento operacional, com implementação estruturada em etapas ao longo deste ano. A parceria engloba a concepção científica e metodológica do projeto da UNESP Botucatu, encabeçada por Rhyan Rampazo e Daniela Cantane, junto ao aprimoramento metodológico da pesquisa da University of Portsmouth, representada pelo Professor Dr. Dylan Jones, e o financiamento à pesquisa científica pela FAPESP, o CNPq e a CAPES, enquanto a SESANA, da Prefeitura de São Paulo, teve papel na operacionalização e disponibilização do ambiente real de aplicação.
Perguntada, Daniela cita que a metodologia finalista do prêmio IFORS Prize 2026, ao buscar integrar organização de dados, indicadores e ferramentas analíticas em uma plataforma estruturada, o que garante maior suporte técnico às operações, pode sim contribuir para outras pesquisas do ramo e políticas.
“Acreditamos que a experiência desenvolvida em parceria com o Banco de Alimentos pode contribuir como referência para outras iniciativas e políticas públicas da Prefeitura, monitoramento e apoio à tomada de decisão. No entanto, entendemos que cada política pública possui particularidades operacionais e institucionais próprias, de modo que eventuais expansões dependeriam de adaptações e validações específicas para cada contexto”, esclarece a professora.
A iniciativa de segurança alimentar concorre com projetos voltados a áreas como segurança pública, gestão de resíduos, sustentabilidade ambiental e saúde. Para definição do vencedor, os seis finalistas apresentarão seus projetos à comunidade científica internacional e a especialistas de diversas áreas na etapa final, que será realizada na Áustria.
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São Paulo possui o maior programa de Segurança Alimentar do planeta, segundo o Guinness.
Em dezembro de 2025, a cidade de São Paulo foi reconhecida internacionalmente pela GUINNESS WORLD RECORDS™ como detentora do maior programa municipal de segurança alimentar do planeta. Foram distribuídas mais de 933 toneladas de alimento em 24 horas, e a municipalidade alcançou um número superior a 3 milhões de refeições gratuitas por dia, contando com entregas de refeições prontas, produtos in natura e cestas básicas a pessoas de baixa renda.
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