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Segunda-feira, 25 de Novembro de 2024 | Horário: 15:53
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Centros de Convivência e Cooperativa da Prefeitura promovem integração entre seus atendidos e acesso ao mundo do trabalho

Equipamentos da Rede de Atenção Psicossocial oferecem atividades físicas, oficinas e encaminhamento para iniciativas de economia solidária, entre outras atividades

Favorecer a aproximação e convivência entre a população, em toda sua diversidade, sejam as pessoas idosas, com transtornos mentais, deficiências, crianças e adolescentes, assim como em situação de rua, entre outras, é o objetivo dos Centros de Convivência e Cooperativa (Ceccos).

Os Ceccos são serviços de saúde da Prefeitura, gerenciados pela Secretaria Municipal de Saúde, instalados preferencialmente dentro de parques públicos, centros esportivos e comunitários, assim como praças públicas municipais e concebidos como espaços alternativos de convivência. 

Entre as atuações clínicas e sociais, essas unidades funcionam de portas abertas para aqueles que ingressam espontaneamente e também para os que chegam indicados por outros serviços de saúde. Neles são trabalhados a promoção à saúde e o estímulo da autonomia.

Atualmente, existem na capital 23 Ceccos, que, ao longo de 2023, realizaram um total de 77.098 atividades; até o mês de setembro deste ano já foram mais de 65 mil atividades realizadas, com públicos diversos.

A gerente da unidade do Parque Previdência, na Zona Oeste, Vanessa Andrade Caldeira, afirma: “somos um local de inclusão”. No espaço que administra, localizado dentro do Parque da Previdência, são realizadas oficinas voltadas à saúde e bem-estar e convivência, como atividades físicas, práticas integrativas e complementares em saúde (Pics) e atividades artísticas, além de espaços para a troca de saberes e fazeres artesanais. Todas as práticas são promovidas com o envolvimento de psicólogos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e assistentes sociais.

De acordo com a gestora, o Cecco também realiza atividades socioculturais, com acesso aos bens culturais e circulação pela capital como os passeios, apresentações e visitas às exposições e coletivos do território que trabalham com arte, cultura e saúde. “Esse movimento transforma os indivíduos, a cidade e o preconceito em relação às pessoas com deficiência ou em sofrimento psíquico”, enfatiza. 

Independência financeira
As unidades do Cecco também incentivam e apoiam os frequentadores a terem independência financeira, reconhecimento e desenvolvimento social por meio de iniciativas de qualificação profissional e de geração de renda. Dentro desta característica, o Cecco Parque Previdência é um dos equipamentos que compõe o Grupo Condutor do Trabalho e Saúde do Butantã, que mapeia no território as ofertas de vagas para pessoas com deficiência além de cursos e bolsas. 

Ao mesmo tempo, o equipamento incentiva o território a identificar pessoas acompanhadas pela rede de saúde que estejam com dificuldades para ter uma renda, seja em função de deficiências, por estarem em grande vulnerabilidade social, sofrimento psíquico ou em situação de violência. “A discussão realizada dentro do grupo condutor por profissionais de diferentes serviços constrói, juntamente com os atendidos, seu projeto para gerar renda”, diz Vanessa.  Segundo ela, por estar articulado de forma intersetorial e ligado a outros órgãos e equipamentos no território, o Grupo Condutor consegue encontrar caminhos para capacitação, vagas de emprego, auxílio ou mesmo na idealização de um empreendimento.

O Ponto de Economia Solidária do Butantã, vinculado à Secretaria Municipal da Saúde (SMS), é um dos locais onde os indivíduos que recebem auxílio voltado às questões profissionais podem trabalhar. Implantado em 2016 como parte da rede de inclusão direcionada a pessoas em situação de vulnerabilidade social, o Ponto de Economia Solidária tem como meta a organização econômica a partir do trabalho coletivo, apoiando o desenvolvimento de projetos de geração de renda a partir de empreendimentos solidários. 

“Sabemos que para os pacientes de saúde mental o emprego formal pode ser um grande impeditivo e os empreendimentos de economia solidária podem resgatar essa dimensão do trabalho, com maior respeito à adaptação dessas pessoas. Por isso, dizemos que é uma estratégia importante de reabilitação”, complementa Vanessa.

Histórias de superação
Com diagnóstico de esquizofrenia, dois frequentadores do Cecco Previdência participam de um novo empreendimento, o lava a seco de carros instalado no Ponto de Economia Solidária, Comércio Justo, Cooperativismo Social e Cultura do Butantã. Atualmente, já adaptados com uma nova rotina de trabalho, eles contam histórias de superação e conquistas, por meio das relações sociais e também pela independência financeira.  

Tiago Cássio, 38, chegou ao Cecco Previdência encaminhado pela Unidade Básica de Saúde (UBS), em 2019, por recomendação da psicóloga. O diagnóstico de esquizofrenia não o impediu de avançar. Passou por oficinas de pintura em tecidos, participou do bloco Bibitantã e fez terapia comunitária, entre outras atividades. “Eu me identifiquei com os frequentadores do Cecco, fiz amizades. Antes eu tinha problemas de relacionamento e depressão. Hoje estou mais feliz, as pessoas aqui são parecidas comigo”, diz Tiago.

Após participar do grupo Trabalho e Ação no Cecco, em 2022, ele se interessou em montar um empreendimento coletivo de lavagem a seco. Tiago conta que o equipamento viabilizou a capacitação de todo o grupo e sua vida teve um novo rumo. “Tudo que acontece no lava a seco é decidido conjuntamente por todos os funcionários; escolhemos até o nome do empreendimento em conjunto: "Katu ará", que significa bom dia em tupi”, comenta. “Atualmente, consigo até contribuir financeiramente com a minha família, compro coisas que quero, vou ao cinema com os amigos do Ponto de Economia Solidária.” 

Também foi no empreendimento que Maurício Tsuyoshi Yashoshima, 49, recuperou suas perspectivas em relação ao trabalho. Ele era estudante de licenciatura de Matemática na Universidade São Paulo (USP) quando os primeiros sintomas do transtorno mental apareceram. Não terminou o curso devido ao diagnóstico de esquizofrenia. Ao ser encaminhado ao Cecco, participou da mesma oficina que o colega Tiago. Mas tarde, foi convidado a compor o empreendimento do lava a seco. Sente-se bem trabalhando, criou laços de amizade e, enquanto continua com acompanhamento psicológico e psiquiátrico, faz planos para o dinheiro que recebe no trabalho. “Quero reformar a casa onde moro com a minha mãe”, afirma.
 

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