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Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2025 | Horário: 10:37
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Com apoio da Vila Reencontro, famílias deixam a situação de rua e celebram Natal em casa própria

Chegada do terceiro Natal do programa reforça importância da iniciativa, com histórias de pessoas em situação de vulnerabilidade que passaram pela rede socioassistencial da Prefeitura e ganharam um futuro

A diarista e babá Gabriela da Cruz, 26 anos, chegou a São Paulo em 2023, vinda de Foz do Iguaçu, no Paraná, com tudo o que tinha: o filho de 4 anos, uma mochila, coragem e a esperança de começar de novo. Mas, antes de qualquer recomeço, vieram os dias duros. Sem dinheiro, sem rede de apoio e sem destino, ela enfrentou semanas de incertezas até conseguir acolhimento na rede socioassistencial da Prefeitura. Passou por um Centro Temporário de Acolhimento (CTA), depois por outro, até que encontrou, na Vila Reencontro Pari, o ponto de virada que transformaria tudo justamente quando parecia que a vida insistia em não engrenar.

Se acostumar aos desafios da capital, porém, não foi simples. “Foi um período de adaptação, porque vim de uma cidade bem menor. As ruas pareciam enormes, muito trânsito, barulho. Mas, mesmo estranhando tudo, não desisti. Arrumei emprego em duas casas em São Miguel Paulista, na Zona Leste, como diarista. Trabalho lá quatro vezes por semana. E uma das minhas patroas me indicou um terceiro endereço, onde sou babá todas as noites, desde aquela época”, lembra. A rotina exaustiva era movida por um objetivo íntimo e repetido todas as noites antes de dormir: a certeza de que, em algum momento, seus esforços seriam recompensados com um lar próprio.

Foi na Vila Reencontro que essa convicção ganhou forma concreta. Ali, Gabriela conheceu o venezuelano Anderson Zaverce, 45, eletricista e engenheiro de formação, que hoje organiza a documentação para validar o diploma no Brasil. Juntos, foram desenhando o projeto de vida que os tiraria da situação de vulnerabilidade. Um ano e meio depois do acolhimento, com apoio do aluguel social, mudaram-se para o apartamento em Guaianases onde vivem com o pequeno Enzo. “Sou imensamente grata à oportunidade que tive na Vila Reencontro. Anderson e eu compramos geladeira, móveis para nosso quarto e do Enzo. E logo a loja vai entregar nossa mesa”, conta.

Realizada com a própria rotina de trabalho e com o filho frequentando a escola desde que chegaram à cidade, ela se prepara para receber amigos e familiares para um jantar de Ano-Novo. “Me sinto realizada. Enzo na escola, eu trabalhando, nossa casa tomando forma. Neste fim de ano, teremos nossa própria mesa para a ceia”, afirma.

Naquele conjunto de casas que acolhe famílias inteiras, Gabriela voltou a respirar com calma. Entre atendimento técnico, cursos e rotina de creche para o filho, ela começou a reconstruir a vida que a vulnerabilidade tinha interrompido.

A chegada do terceiro Natal do programa reforça esse movimento: histórias que começaram com pessoas em situação de vulnerabilidade, passaram pela rede socioassistencial da Prefeitura e ganharam, pouco a pouco, endereço, rotina e futuro.

A história de Gabriela é uma entre tantas que marcam o terceiro Natal do Programa Reencontro, política pública da Prefeitura de São Paulo criada para oferecer moradia transitória, capacitação profissional e apoio social a pessoas e famílias em situação de rua. Desde 2022, o programa já acolheu 4.094 pessoas, realizou 3.370 atendimentos e registrou 888 saídas qualificadas, que incluem moradia autônoma, reintegração familiar e inserção no mercado de trabalho.

Somente neste ano, 551 pessoas deixaram as Vilas Reencontro para seguir uma vida independente — em imóveis alugados, com auxílio-aluguel ou em moradias próprias.

O auxiliar de limpeza Rafael Cortez, 34, é um outro exemplo. Ele passou dois anos na Vila Reencontro Vila Cruzeiro, a primeira unidade inaugurada pela Prefeitura. Mineiro de Elói Mendes, chegou à capital após perder emprego e moradia. Hoje, celebra o primeiro fim de ano em um apartamento no Itaim Paulista, ao lado da esposa, Daniela, e dos filhos Henry, 2, e Sophia, 6. “Foi um período de aprendizado que rendeu bons resultados”, afirma. “Logo vamos comprar os ingredientes para preparar a ceia e um presentinho para cada uma das crianças. Estamos vivendo uma grande fase”, revela. 

Vizinha de Rafael no mesmo bairro, a estudante Cauane Queiroz, 26, também vive seu primeiro Natal em casa própria após a passagem pela Vila Cruzeiro. Funcionária do Programa Operação Trabalho (POT) e aluna do 5º ano do Ensino Fundamental I, ela relata que o programa provocou uma transformação pessoal. “Na Vila Reencontro aprendi a ter paciência, a ser mãe. Conquistei minha autonomia”, diz, preparando-se para receber a família na ceia. “Meu marido, filhos e eu vamos receber minha mãe, sogra e cunhada em 24 de dezembro. Vou enfeitar a casa e preparar pratos bem gostosos. É uma sensação boa, um sentimento que não consigo explicar. Conquistei minha autonomia”, celebra. 

Como funciona o Programa Reencontro
Com investimento de R$ 42,2 milhões, o programa opera em três eixos — conexão, cuidado e oportunidade — priorizando famílias chefiadas por mulheres e núcleos com crianças e adolescentes. As 11 Vilas Reencontro somam 2.448 vagas, distribuídas em unidades habitacionais de 18 m² a 36 m², com áreas de lazer, refeitórios, atendimento técnico e quatro refeições diárias.

Na frente do trabalho, o programa articula capacitação com instituições como SENAI, SENAC, Projeto Casa na Luz, Instituto GUIMA e oportunidades via CATE. Após estabilização, as famílias podem receber o aluguel social reencontro, com acompanhamento técnico de até dois anos.

Um programa que reescreve trajetórias
De acordo com a secretária municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS), Eliana Gomes, o Programa Reencontro tornou-se uma das principais portas de saída da situação de rua. “Investir em moradia transitória com suporte socioassistencial é garantir que as pessoas possam reescrever suas histórias e se reconectar com a vida em sociedade”, afirma.

Natal Reencontro das Nações

A Prefeitura promove, até a próxima terça-feira (23), o Natal Reencontro das Nações. O evento, que teve início terça-feira (16), é descentralizado e leva, além de ceias, presentes para as 11 Vilas Reencontro que, só em 2025, atenderam mais de 2.600 pessoas, sendo cerca de 22% estrangeiros.

O evento tem como objetivo promover a interculturalidade, a integração autêntica e a coesão social entre os atendidos pela rede socioassistencial da capital, sejam brasileiros ou imigrantes, valorizando as identidades de origem e combatendo a discriminação.

Cronograma do evento

18/12 (Quinta-feira) – Ceia e entrega de presentes
14h – Vila Anhangabaú (R. Quirino de Andrade – Centro Histórico)
 16h – Vila Santo Amaro (Praça Dom Francisco Sousa, 747 – Santo Amaro)

19/12 (Sexta-feira) – Ceia e entrega de presentes
14h – Vila Jabaquara 1 (Av. Eng. Armando de Arruda Pereira, 4433 – Vila do Encontro)
16h – Vila Jabaquara 2 (Rua Conception Arenal, 164 – Vila Mira)

22/12 (Segunda-feira) – Ceia e entrega de presentes
14h – Vila Guaianazes 1 (R. Mte. Valentim, 281 – Jardim São Pedro)
16h – Vila Guaianazes 2 (Av. José Higino Neves, 355 – Inácio Monteiro, Zona Leste)

23/12 (Terça-feira) – Ceia e entrega de presentes
14h – Vila Sapopemba (R. Manhã de Sol, 94 – Jardim São Roberto)
16h – Vila Cidade Tiradentes (Av. dos Têxteis, 2151 – Cidade Tiradentes)

 

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