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Segunda-feira, 16 de Março de 2026 | Horário: 12:06
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Estudante da Zona Leste representa o Brasil em Campeonato Internacional de Sumô

Iniciativa do Programa Mais Educação levou o atleta da EMEF Professora Ruth Lopes a competir no tradicional Hakuho Cup, em Tóquio

Aos 15 anos, o estudante Bruno Ciríaco da Silva já viveu uma experiência marcante para qualquer atleta ao representar o Brasil no Hakuho Cup, prestigiado Campeonato de Sumô no Japão. Representando a EMEF Professora Ruth Lopes, Zona Leste da capital, ele transformou a curiosidade por artes marciais em disciplina, superação e um sonho que ultrapassou fronteiras.  

Sua trajetória no esporte começou de forma inesperada, ainda no 6º ano, quando o professor de Educação Física, Edson Dias Pereira Júnior, divulgou um projeto de sumô aos estudantes da unidade. Como não praticava nenhum esporte, Bruno decidiu se inscrever. No início, o maior desafio foi convencer a própria mãe, que tinha receio de que o filho se machucasse. Além disso, nunca havia tido contato com a modalidade.  

A adaptação aos treinos também exigiu esforço. Na época, Bruno estava com quase 95 kg e sentia dificuldade para respirar durante as atividades. Com dedicação e treinos regulares no contraturno — duas vezes por semana, às terças e quintas-feiras, durante uma hora e meia — começou a emagrecer, ganhou resistência e hoje está com 85 kg. Além das aulas na escola, participou de treinos extras com as equipes São Paulo, no Bom Retiro, e Nova Central, em Suzano, para se preparar para as competições.  

Ao longo de quatro anos, disputou as Olimpíadas Estudantis da Rede Municipal de Ensino e campeonatos organizados pela equipe Nova Central. No Campeonato Brasileiro de Sumô do ano passado, Bruno conquistou o terceiro lugar por equipes. 

 

Projeto na EMEF Professora Ruth Lopes 

A iniciativa integra o Programa Mais Educação, que também oferece aulas de judô. Em média, cerca de 60 estudantes, do 1º ao 9º ano, participam das práticas esportivas. Com os mais novos, o trabalho começa de forma mais lúdica, priorizando a coordenação motora e os valores das modalidades. Ao longo do ano, o projeto contempla as duas práticas, adequando o foco ao objetivo de cada semestre e ao calendário de competições. 

“Agradecemos à Secretaria Municipal de Educação pelo apoio ao projeto, que contribui não apenas para o desenvolvimento cognitivo, mas também para a formação disciplinar dos alunos. As atividades despertam interesse e oferecem a oportunidade de praticar uma modalidade com objetivos bem definidos e um olhar diferenciado para cada estudante. A frequência é alta, o que demonstra o engajamento e a importância da iniciativa”, avaliam Lilian De Capitani Montier, diretora da unidade, e Janete Rodrigues Pompermayer, Assistente de Direção.

 

A competição internacional 

O professor Edson Dias convidou Bruno para participar de um campeonato de sumô que também definiria quem representaria o Brasil no Mundial. Bruno aceitou o desafio e garantiu vaga no Hakuho Cup, realizado no mês de fevereiro deste ano, em Tóquio. O evento é promovido pela lenda do esporte, Hakuhō Shō. 

O pódio não aconteceu, mas a oportunidade já foi uma grande vitória. “No sumô, não há divisão por peso, apenas por idade. Com 85 quilos, enfrentei adversários bem mais pesados, um deles com 118 quilos. Na minha chave, avancei após uma vitória por W.O. e venci um atleta da Coreia. Na luta seguinte, contra um competidor do Azerbaijão, fui eliminado. Ainda assim, a experiência foi marcante”, conta Bruno. 

O desempenho do estudante no campeonato internacional de sumô também foi destacado por quem acompanhou de perto sua trajetória nos treinos. Para o professor, responsável pela preparação do atleta, a evolução técnica e a dedicação do adolescente foram determinantes para que ele chegasse competitivo ao torneio no Japão. “Ele é muito forte, tem ótima estrutura corporal e aprende com rapidez. Mesmo com pouco tempo de preparação, manteve a regularidade nos treinos e buscou reforço físico para o evento”, destaca.  

Agora, Bruno pretende seguir no sumô e alimentar um sonho maior de levar a modalidade para mais regiões do país, especialmente para Alagoas, estado de origem de sua família. “Penso, no futuro, em abrir um dojo (local de treinamento) e contribuir para a formação de novos atletas, ampliando a presença do sumô no Brasil”. 

Aos colegas, deixa um exemplo claro. “O esporte, que começou como curiosidade, transformou a minha rotina, melhorou a saúde e me levou ao outro lado do mundo, uma conquista que nunca imaginei alcançar tão cedo”, conclui.

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