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Quinta-feira, 12 de Março de 2026 | Horário: 11:51
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Estudantes idosos da rede municipal registram histórias de vida em livro de memórias

Obra reúne depoimentos de 31 participantes do CIEJA Rolando Boldrin, na Zona Leste
A estudante Edvaneuza, Profª Angela e Maria da Mota (Foto: Divulgação/SME)

Idosos entre 60 e 90 anos que voltaram à sala de aula no Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos (CIEJA) Rolando Boldrin, na Zona Leste, participaram da produção de um livro de memórias que reúne relatos pessoais sobre infâncias no interior do Brasil, histórias familiares e o caminho de retorno aos estudos na capital.

O projeto começou a ser desenvolvido ao longo de 2025 e reuniu depoimentos de 31 participantes, todos idosos, com exceção de uma integrante mais jovem, de 45 anos, que pediu para integrar o grupo. O processo envolveu entrevistas, gravações e troca constante de mensagens entre os autores da obra e os professores Angela Marques Tamarino e Jorge Luiz Dias de Araújo, idealizadores da atividade.

A publicação teve tiragem de 50 exemplares e será entregue aos autores em um evento especial na escola, no próximo dia 16, às 18h, em uma noite de autógrafos com a presença de familiares.

A próxima etapa do projeto é ampliar a preservação dessas histórias, levando-as para o acervo do Museu da Pessoa, onde ficarão registradas e acessíveis. “É uma forma de eternizar essas experiências e saberes tão valiosos”, conclui a professora Angela.

O livro também se torna um patrimônio cultural e afetivo, revelando o protagonismo dos estudantes 60+, valorizando trajetórias de vida e fortalecendo o sentimento de pertencimento à comunidade escolar.

Entre as autoras está Edvaneuza Praxedes da Silva, 85 anos. Ela nasceu em Arapiraca, em Alagoas, e passou a infância em um sítio, onde levava uma vida simples. Arteira, como ela mesma se define, costumava montar a cavalo e subir em árvores. 

Outro destaque no livro é Maria São Pedro da Mota, 77, que também encontrou no CIEJA uma oportunidade de retomar um sonho interrompido ainda na juventude. Ela estudou apenas até o quarto ano, porque precisou trabalhar cedo.

No livro de memórias, Maria revisita a infância em Nazaré das Farinhas, na Bahia, lembrando da separação dos pais e dos anos em que cresceu ao lado de sete primos, com quem dividia brincadeiras e aventuras. Participar da publicação foi uma surpresa. “Quando falaram que a gente ia contar a história de vida, achei que seria apenas um caderno com as nossas histórias. Fiquei lisonjeada”, conta.

Como tudo surgiu

A professora de Atendimento Educacional Especializado (PAEE), Angela Marques Tamarino, explica que a ideia do livro nasceu da escuta atenta e do desejo de valorizar ainda mais as histórias dos estudantes da unidade, especialmente daqueles com mais de 60 anos. O projeto partiu do Mente Ativa 60+, criado por ela após a pandemia, quando percebeu que muitos estudantes idosos buscavam a escola também como espaço de convivência. O objetivo era fortalecer habilidades cognitivas, como memória, atenção, linguagem e funções executivas, mas o projeto acabou ganhando dimensões maiores.

Segundo ela, a iniciativa de produzir um livro no CIEJA começou a ganhar forma quando as conversas entre os estudantes passaram a revelar narrativas marcantes da infância, da juventude e das trajetórias familiares. A proposta ganhou força quando o professor Jorge Luiz Dias de Araújo decidiu se juntar à iniciativa.

“Eu conversei com o professor Jorge, que passou a contribuir também com os relatos dos estudantes do período noturno do CIEJA, abraçando a ideia com sensibilidade, compromisso e tornando-se um parceiro importante no projeto. A partir dessa união, o trabalho cresceu e acabou contemplando a escola inteira”, explica a professora. Assim, surgiu o projeto “Entre Olhares e Memórias – Relatos de Vida dos Estudantes 60+ do CIEJA Rolando Boldrin”, que resultou na produção do livro.

Quando as histórias ficaram prontas, os professores apresentaram o texto para cada estudante. “Nós líamos a história para cada um deles. Muitos choravam ao ouvir o próprio relato. Eles diziam: ‘é isso mesmo’, e completavam com mais informações. Foi um momento muito emocionante”, lembra.

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