Notícia na íntegra
Janeiro Branco: Prefeitura oferece tratamento humanizado para ansiedade e depressão em UBSs e Caps
A Prefeitura de São Paulo oferece tratamento humanizado para ansiedade e depressão nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), equipamentos que a população deve procurar para o cuidado desses transtornos mentais. Este mês é marcado pela campanha Janeiro Branco, dedicada à conscientização sobre a importância da saúde mental e emocional.
A atual gestão tem reforçado a atenção a essas doenças e, desde 2021, a cidade ganhou 21 novos Caps, totalizando 104 atualmente. Nos últimos cinco anos, foram criadas 13 novas UBSs, passando de 468 para 481 equipamentos. Nessas duas redes de atendimento, a ansiedade e a depressão respondem pela maior parte dos casos: foram 225.494 casos entre janeiro e novembro de 2025, o que representa 25% do total de atendimentos em saúde mental.
Os dados estão em sintonia com o relatório mais recente da Organização Mundial da Saúde (OMS), que aponta a ansiedade e a depressão como os transtornos mentais mais comuns no mundo, atingindo mais de 690 milhões de pessoas, o equivalente a 63% de todos os diagnósticos.
“Dos atendimentos em saúde mental, a maior prevalência é de ansiedade e depressão, o que está relacionado, entre outros fatores, às mudanças nos nossos hábitos de vida”, analisa a psiquiatra Cláudia Ruggiero Longhi, diretora da Divisão de Saúde Mental da Secretaria Municipal da Saúde (SMS).
Rede de apoio
Usuários da rede municipal destacam a importância do acolhimento e do tratamento humanizado oferecido pela Prefeitura. “Antes eu estava no escuro e agora estou no claro. Eu não tinha ninguém para me ajudar nem para conversar. Hoje posso contar com essa rede de apoio nos momentos de recaída”, relata Luciana Ramos Domingues, 42 anos, que faz tratamento para depressão, ansiedade e TOC há três anos no Caps Adulto III Jardim São Luiz, na Zona Sul.
Duas vezes por semana, ela frequenta a unidade, onde passa por atendimento psiquiátrico e psicológico, além de participar de terapias individuais e em grupo. Luciana também integra oficinas de artesanato, que estimulam a concentração, o foco e promovem o empreendedorismo. Os Caps contam com equipes multiprofissionais que desenvolvem projetos terapêuticos individuais, de acordo com cada caso. “Cada conquista no campo da saúde mental é um processo, que pode ser mais demorado. As recaídas fazem parte da caminhada, mas é fundamental buscar estratégias para enfrentar essas situações”, explica a enfermeira Miriam Silva do Nascimento.
Adolescentes
A cidade também mantém um olhar atento à saúde mental dos adolescentes. Atualmente, 34 dos 104 Caps — cerca de um terço — são voltados ao público infantojuvenil. Um deles é o Caps IJ III Aricanduva, na Zona Leste, que atende adolescentes de 14 a 17 anos com quadros de ansiedade, depressão e dificuldades de socialização.
“A terapia em grupo é uma oportunidade de estimular a convivência presencial, já que muitos adolescentes estabelecem relações quase exclusivamente pela internet. Ainda estamos colhendo os efeitos da pandemia, período em que eles ficaram isolados, sem a chance de desenvolver habilidades sociais”, explica Cleber Henrique de Melo, terapeuta ocupacional e gerente da unidade.
A adolescente C.L., de 15 anos, participa do grupo, que aborda um tema diferente a cada encontro semanal. “As pessoas acolhem e não julgam, porque todos estão passando por situações parecidas. Na semana passada, falamos sobre sentimentos como raiva, ódio e alegria”, conta.
Para estimular a socialização, o grupo realiza passeios a parques, cinemas e museus, sugeridos pelos próprios adolescentes. Recentemente, os jovens fizeram um passeio pelo bairro da Liberdade. “Nós fomos ao Museu de Artes de São Paulo (MASP), ao Museu Catavento e à Bienal de São Paulo. Eu gosto bastante porque conheço lugares novos”.
Como o apoio familiar é fundamental, a unidade também oferece atendimento aos pais dos adolescentes. “É importante que eles participem do processo de cuidado. Muitas vezes, o sofrimento não é individual e está associado à dinâmica familiar”, reforça Cleber Henrique de Melo.
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