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Quarta-feira, 9 de Agosto de 2023 | Horário: 15:58
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Prefeitura tem ações e programas na área da saúde aos indígenas

Nesta quarta (9) é comemorado o Dia Internacional dos Povos Indígenas e as aldeias da cidade são contempladas

Em meio a 11,4 milhões de habitantes, São Paulo é o quarto município com a maior população indígena no Brasil, sendo 19.777 pessoas autodeclaradas indígenas vivendo no contexto urbano e em aldeias, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE Censo 2022). Nesta quarta-feira (9), comemora-se o Dia Internacional dos Povos Indígenas e a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, conta, desde 2004, dentro do organograma da Atenção Básica, com a Área Técnica de Saúde da População Indígena,  que desenvolve ações e programas direcionados aos aldeados.

Os indígenas da etnia Mbya Guarani vivenciam essa cultura tão rica e diversa em dois territórios na capital: o do Jaraguá (quatro hectares), localizado na zona norte; e Tenondé Porã (26 hectares), região de Parelheiros, no extremo sul. No total, são mais de 2.200 indígenas, o que requer, além de outras assistências, cuidados diferenciados.

O cuidado em saúde é realizado em toda Rede de Atenção à Saúde (RAS), mas a cidade também tem duas Unidades Básicas de Saúde Indígena (UBSi) nas aldeias. Nelas, atuam as Equipes Multidisciplinares de Atenção Básica à Saúde Indígena (EMSI).

A UBSI Vera Poty (e o anexo Krukutu) fica nas aldeias Tenondé Porã e Krukutu; e a UBSI Kwarãy Djekupé, na aldeia Jaraguá. Ambas estão inseridas em todas as iniciativas e ações em saúde comuns à rede municipal, da saúde do idoso à saúde bucal, da mulher, da criança e do adolescente.

Atendimento faz a diferença
As EMSIs têm membros da aldeia entre os trabalhadores - que falam a língua guarani -,  além de médicos e enfermeiros especializados em saúde indígena. O contato dos profissionais de saúde com as lideranças proporciona maior interação com a população local e leva a um melhor entendimento sobre as especificidades da cultura indígena, resultando em melhorias no atendimento à saúde.

“Esse trabalho tem feito a diferença na comunidade. Uma coisa importante para o segmento de tratamento em saúde é entender a população, adaptar-se a ela. Não adianta fazermos protocolos que não se adequam à nossa realidade. A equipe é interessada em conhecer o território e os problemas inseridos nele”, avalia Poty Poran Turiba Carlos, gestora da UBSI Aldeia Jaraguá Kwarãy Djekupé.

Seguindo a determinação sobre a participação dos povos originários nas decisões que afetam seu modo de vida e a saúde, as atividades desenvolvidas nas UBSIs são discutidas com a comunidade em reuniões mediadas pelas lideranças. “Nós, indígenas, temos essa postura de que nada é imposto, nada é obrigado. A saúde se adapta, entendendo o modo de vida do povo guarani”, completa Poty Poran.

No território do Jaraguá vivem 750 pessoas em oito aldeias (Pyau, Itakupe, Yvy Porã, Itaendy, Itawera, Tekoa Mirim, Pindo Mirim Ytu). A equipe multidisciplinar é composta por 28 profissionais contando com um médico, uma enfermeira, auxiliares de enfermagem, dentista, farmacêutica, psicóloga, assistente social, dentre outros. Do total de profissionais, 17 são indígenas.

Diálogo no dia a dia da comunidade
Ana Flávia Martins Bernardes (nutricionista), Simone dos Santos Maia (auxiliar de enfermagem), Ednna Rodrigues (enfermeira), Amanda Mayumi (psicóloga) e Jaqueline Rodrigues (farmacêutica) são parte da equipe multiprofissional que integra a UBSI Kwarãy Djekupé. Diariamente, elas têm o desafio de garantir a integralidade da assistência em saúde na aldeia, estabelecendo diálogos interculturais junto a crianças, jovens, adultos e idosos.

Fazer com que a comunidade se conscientize sobre hábitos que podem afetar diretamente no modo de vida e saúde é um desafio para a equipe. No entanto, abordar determinados temas de forma didática e com a participação ativa junto às famílias tem feito a diferença.

“Um dos nossos planos de ação é reduzir a incidência de parasitoses intestinais na população da aldeia, pensando na família como um todo. Para que ela se conscientize sobre a importância de higienizar as mãos, evitar o contato com fezes de animais, fazer o descarte correto de resíduos e tomar vermífugo, nossa equipe vai de casa em casa para orientar e monitorar”, exemplifica a enfermeira Ednna Rodrigues.

Outra problema comum entre crianças e adultos são os casos de deficiência de ferro, condição que tem como fatores a verminose e o contexto alimentar no território, com o acesso escasso a alimentos naturais devido a questões financeiras, além do solo infértil na localidade. Novamente, o trabalho de orientação e próximo às famílias se faz importante.

“É complexo para o indígena, nesse caso, tomar ferro (sulfato ferroso) para tratar essa deficiência no organismo. Procuramos entender as particularidades de cada aldeia para dar o suporte conforme a sua realidade. Um dos nossos recursos é por meio do Centro de Educação e Cultura Indígena (Ceci) Jaraguá, que oferece refeições completas diariamente, tem horta pedagógica e ali conseguimos monitorar as crianças e orientar as famílias para uma alimentação mais saudável”, conclui a nutricionista Ana Flávia.

 

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