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Terça-feira, 17 de Março de 2026 | Horário: 11:35
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Serviço da Prefeitura oferece acolhimento para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade

O projeto Família Acolhedora oferece ambiente familiar para crianças e adolescentes afastados judicialmente de suas famílias

Atualmente, 4.380 crianças e adolescentes estão acolhidos em serviços da rede socioassistencial da Prefeitura de São Paulo, que conta com mais de 27 mil vagas destinadas à proteção de pessoas em situação de vulnerabilidade. Entre as diferentes modalidades, o serviço de Família Acolhedora se destaca por oferecer cuidado temporário em ambiente familiar, contribuindo para a reconstrução de vínculos e para o desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes. 

A política pública atende crianças e adolescentes afastados temporariamente de suas famílias por medida judicial, em situações de vulnerabilidade ou violação de direitos. Durante o período de acolhimento, equipes técnicas acompanham tanto a criança quanto a família de origem, com o objetivo de fortalecer vínculos e viabilizar o retorno ao convívio familiar sempre que possível. 

No acolhimento, a criança passa a viver temporariamente na casa de uma família habilitada e acompanhada por equipes técnicas multidisciplinares. O objetivo é garantir uma rotina de cuidado, afeto e convivência comunitária enquanto são buscadas soluções para a situação da família de origem. 

Atualmente, o serviço é executado em cinco unidades, totalizando 130 vagas. Cada família acolhedora recebe uma criança ou adolescente por vez, garantindo o cuidado individualizado. Em casos de grupos de irmãos, esse número pode ser ampliado para preservar os vínculos familiares.  

Para se cadastrar, basta demonstrar interesse no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) da sua região, responsável por acompanhar todas as etapas do processo de acolhimento. Clique aqui e encontre o CREAS mais próximo da sua residência. 

 

Impacto do acolhimento

Foi ao conhecer essa realidade que a empresária Keliane Salú de Sousa, de 33 anos, decidiu se tornar uma família acolhedora. “Descobri que eu podia atuar de alguma forma na causa sem ser necessariamente a adoção. Então resolvi me informar, correr atrás e buscar uma capacitação”, conta. 

Desde então, ela já acolheu quatro bebês em sua casa. Para Keliane, a experiência mostra como o ambiente familiar pode fazer diferença no desenvolvimento das crianças, especialmente nos primeiros anos de vida: “Na primeira infância, as crianças precisam de cuidado direcionado”, destaca. 

Mesmo após o encerramento do acolhimento, algumas histórias seguem conectadas. Keliane conta que conseguiu manter contato com todas as famílias que adotaram as crianças que passaram por sua casa. Conforme as diretrizes do serviço, no entanto, a continuidade desse contato depende da decisão da família que passa a deter a guarda da criança. 

Para Keliane, o maior obstáculo para quem considera participar do programa costuma ser justamente o medo do apego. Ainda assim, ela acredita que o vínculo faz parte do cuidado e do propósito do acolhimento. 

“Quando as pessoas me perguntam por que eu sou família acolhedora, a primeira resposta que elas dão é ‘eu não ia conseguir, porque eu tenho medo de me apegar, eu tenho medo de sofrer’. Eu também tinha. A gente se apega, mas vale a pena e o nosso medo não pode ser maior que o nosso amor, nós escolhemos viver isso porque nós entendemos que é uma causa que vale a pena”, conclui.

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