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Segunda-feira, 27 de Abril de 2026 | Horário: 13:02
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UBS em área rural encurta distâncias para a população do extremo sul

Com visitas domiciliares e equipes multiprofissionais, a UBS Dom Luciano Bergamin atende pacientes que vivem a até 20 quilômetros da unidade

A Unidade Básica de Saúde (UBS) Dom Luciano Bergamin, localizada na região de Marsilac, na área rural do extremo sul da capital, está inserida em um território onde a densidade populacional média é de 40 habitantes por quilômetro quadrado — em comparação aos cerca de 7 mil habitantes por quilômetro quadrado nas áreas mais adensadas da cidade. Atualmente, a unidade atende 1.891 pacientes cadastrados, alguns dos quais vivem a até 20 quilômetros de distância do local.

Ao todo, são 697 famílias, com predominância masculina (1.075 homens e 816 mulheres), característica que distingue a Dom Luciano Bergamin de outras UBSs. Esse perfil está relacionado ao grande número de chácaras e sítios na região, que empregam homens como caseiros. Desse contingente, 501 pessoas têm mais de 60 anos, com prevalência de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), como hipertensão e diabetes.

Presença no território

Em uma manhã de segunda-feira do último mês de março, a sala de espera da UBS reunia quase 20 pessoas. Na sala de curativos, a cozinheira Maria Helena Alves Gomes, de 62 anos, recebia os últimos cuidados em uma lesão na perna. “O atendimento aqui é muito bom”, elogiou a paciente, que é diabética e hipertensa. “Mas está tudo controlado”, ressalta ela, que retira quatro medicamentos todos os meses na farmácia da unidade. Segundo dona Maria Helena, que mora a cerca de uma hora de caminhada dali, a maior dificuldade está nas distâncias a serem percorridas na região.

A unidade mobiliza toda a sua estrutura e a equipe de 24 profissionais para lidar com aspectos da realidade local, como a necessidade de resolutividade diante das longas distâncias, o elevado número de homens cadastrados — notoriamente menos propensos a procurar serviços de saúde — e a prevalência de DCNTs. O objetivo da UBS é não apenas estar presente no território, mas atuar de forma efetiva para alcançar os usuários.

Uma das estratégias é a atuação da equipe de Estratégia Saúde da Família (ESF), composta por seis agentes comunitários de saúde (ACSs), todos moradores da região. Eles são responsáveis por visitar mensalmente as famílias, verificando receituários, orientando sobre o uso de medicamentos, avaliando as condições gerais de saúde, convidando para participação em grupos e, sempre que necessário, encaminhando para consultas ou outros acompanhamentos na UBS.

Moradores de um sítio próximo à unidade, dona Alzira dos Santos Ramalho Silva, de 55 anos, e José Ramalho Silva, de 59, já se acostumaram com as visitas do ACS Ailton Hessel, que ocorrem há sete anos. Naquela segunda-feira de março, ele foi à casa do casal acompanhado pela farmacêutica Cleina Ávila, que verificou o uso de medicamentos e conversou com os pacientes. Foi nesse contexto que descobriu, por exemplo, que Alzira não vinha dormindo bem, pois o companheiro mantinha a TV ligada até de madrugada. Segundo ele, trata-se de uma forma de se distrair da dor no ombro, resultado de décadas de trabalho na enxada. Entre outras orientações, a farmacêutica e o ACS recomendaram que José tente desligar a TV mais cedo.

Além das visitas domiciliares, o casal — que está junto há quase 40 anos e tem cinco filhos — utiliza outros serviços oferecidos pela UBS. Com a nutricionista Ana Andrade Galkowicz, por exemplo, Alzira aprendeu a adotar uma alimentação mais saudável. “Hoje ponho menos sal na comida e aprendi a fazer doce quase sem açúcar”, conta. Ela também pretende voltar a frequentar o grupo de atividade física, às quartas-feiras. “Me dei muito bem, hoje até faço exercícios em casa, e 99% da dor que tinha no braço passou.”

José, que deixou de consumir álcool há um ano — hábito bastante presente na região — recebe acompanhamento para o controle do diabetes, sendo insulinodependente. Ele também participa do grupo voltado a pacientes com dor crônica, no qual conseguiu reduzir o desconforto com auriculoterapia e acupuntura, aplicadas pela médica Erika Emi Kumagai. Erika atua na UBS Dom Luciano Bergamin há sete anos e foi responsável pela implementação da maior parte dos grupos na unidade.

O casal Alzira e José Ramalho recebe visita de Ailton e Cleina (Acervo/SMS)

Espaços coletivos

A UBS oferece diversos grupos: o HiperDia, voltado a pessoas com hipertensão e diabetes; o grupo de gestantes — atualmente com oito grávidas em acompanhamento no território —; o de dor crônica; e o de atividade física, todos com encontros semanais. Há também o grupo de devolutiva de exames, focado na mudança de estilo de vida; os grupos de tabagismo e de dependência química; além do grupo para pacientes insulinodependentes, com encontros mensais.

O casal Maria Cícera de Lima, de 61 anos, e José Virgínio de Lima, de 64, esteve na UBS para receber orientações médicas após a retirada de exames laboratoriais. Ela tem hipertensão; ele, hipotireoidismo e artrose nos dois joelhos — e ambos realizam acompanhamento contínuo. “É muito importante, pois conseguimos verificar nossas taxas e receber orientação para mudanças, sempre que necessário”, comenta Maria Cícera, que há quatro anos, durante a pandemia de Covid-19, passou a morar com o marido em uma chácara a seis quilômetros da unidade. “Essa UBS é maravilhosa, tudo de bom”, elogia.

Essa dinâmica de acompanhamento integral é possível graças à presença, ao longo de toda a semana, de profissionais como a médica Erika, a enfermeira Jenyffer Juliana Silva Sampaio, o cirurgião-dentista Eduardo Haruki e a farmacêutica Cleina, além dos ACSs. Uma vez por semana, a unidade também conta com equipe multiprofissional formada por fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, fonoaudióloga, educador físico, assistente social e psicóloga. Para os grupos que demandam mais espaço, como o de atividade física, é utilizada uma área coberta da igreja da comunidade, ao lado da qual a UBS foi construída, há 25 anos.


A médica Erika Emi Kumagai durante devolutiva de exames (Acervo/SMS)

Para os pacientes que moram mais distantes, a Dom Luciano Bergamin oferece ainda o Polo de Atendimento no Território, no distrito de Mambu, a cerca de 15 quilômetros dali. Nesse local, uma vez por mês, os usuários contam com a presença da médica Erika e de outros profissionais da unidade, sem necessidade de deslocamento até a sede.

“Para esta comunidade, a UBS é atendimento médico, mas também o principal equipamento público e espaço de convivência. Acolher de forma integral é o nosso desafio cotidiano, e temos sido bem-sucedidos — atualmente, há apenas 31 pessoas aguardando consulta com especialista”, afirma a enfermeira Ana Iris de Sousa Queiroz, recém-chegada à unidade como gestora. Para ela, que convive com profissionais que, apesar das dificuldades impostas pela distância, permanecem na unidade há seis, sete anos ou mais, motivados pela relevância do trabalho, “a comunidade precisa de nós; aqui é possível desenvolver um cuidado completo e integral, como deve ser a saúde pública”.

A UBS Dom Luciano Bergamin está vinculada à Supervisão Técnica de Saúde (STS) de Parelheiros, da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), e é gerida pela organização social Associação Saúde da Família.

 

 

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