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Quarta-feira, 29 de Abril de 2026 | Horário: 15:26
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Prefeitura amplia inclusão de famílias imigrantes com cuidado integrado nos Caps

Serviços de saúde mental da capital adotam práticas culturais para ampliar acesso, fortalecer vínculos e qualificar o atendimento

A Prefeitura de São Paulo tem ampliado o atendimento em saúde mental para famílias imigrantes nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), com a adoção de práticas mais inclusivas e culturalmente sensíveis. Esse modelo de cuidado, que integra saúde, educação e valoriza as dimensões culturais dos usuários, já recebeu reconhecimento: um dos projetos da rede foi premiado neste ano no 39º Congresso de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo (Cosems/SP).

No Caps Infantojuvenil (IJ) Mooca, na Zona Leste, uma das principais mudanças foi a substituição de grupos exclusivos para imigrantes por atividades integradas com os demais usuários. A estratégia tem favorecido a socialização, sobretudo entre crianças, que muitas vezes enfrentam dificuldades com o idioma.

O reconhecimento veio com o projeto “Saúde mental em territórios multiculturais: experiência intersetorial com crianças bilíngues”, desenvolvido pelo Caps Infantojuvenil III Vila Maria/Vila Guilherme, na Zona Norte. A iniciativa articula ações entre saúde e educação, valoriza a língua materna e fortalece os vínculos familiares no cuidado às crianças imigrantes.

Como parte desse trabalho, atividades terapêuticas passaram a incorporar elementos das culturas de origem das crianças, como músicas e brincadeiras tradicionais. Materiais informativos também foram adaptados e disponibilizados em castelhano, ampliando o acesso à informação.

Mais de 350 pacientes por mês
Atualmente, o serviço atende cerca de 350 pacientes por mês, sendo aproximadamente 170 com transtorno do espectro autista (TEA). Desses, cerca de 60 são crianças bolivianas. O modelo adotado integra o cuidado clínico às dimensões sociais e culturais, promovendo maior acolhimento e convivência entre diferentes realidades.

O impacto dessa abordagem é percebido pelas famílias atendidas. “Eu nunca tinha ouvido falar sobre autismo antes e, por isso, eu me sentia muito perdida. Mas aqui eu recebo ajuda das profissionais e das outras mães. Elas me orientam e explicam como agir em determinadas situações. Dizem para não desistir. A gente compartilha as experiências dos nossos filhos e isso faz muita diferença”, conta M.Q, mãe de uma criança que tem acompanhamento no Caps. 

Para outras famílias, o Caps também se tornou um espaço de acolhimento diante dos desafios da migração. “Aqui me sinto bem de participar das reuniões porque as profissionais me dão esperança de que minha filha vai ficar melhor”, relata outra mãe, N.Q.M.

Os resultados aparecem no dia a dia. “Agora ela  vai feliz para a escola, ela já interage com outras crianças, dá beijos e participa das atividades com mais tranquilidade.”

Articulação entre equipes
Casos mais complexos reforçam a importância de um atendimento articulado. Recentemente, uma família vinda do território palestino passou a ser acompanhada pelo serviço. A criança, diagnosticada com TEA, apresentou agravamento do quadro associado a estresse pós-traumático.

Nessas situações, o cuidado exige ainda mais integração entre os profissionais. “Ele é importante porque ajuda a família a compreender o que está acontecendo com a criança”, explica a psicóloga Carolina Zandavalli Steinacker. “A gente se baseia muito mais no que a criança apresenta, para a partir daí criar um projeto terapêutico singular que trabalhe com as demandas específicas de cada paciente.”

A atuação conjunta entre equipe multiprofissional, escolas e serviços do território contribui para diagnósticos mais precisos e acompanhamento contínuo. “A equipe multiprofissional é o centro da estratégia de cuidado. A gente entende a saúde como um processo psicossocial, influenciado por fatores psicológicos e sociais, que são inseparáveis”, afirma a assistente social Maria Eloisa Santiago.

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