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Quarta-feira, 18 de Março de 2026 | Horário: 12:08
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Prefeitura atende 87 nacionalidades em unidade de saúde no Pari

Serviço da AMA/UBS é referência no cuidado a imigrantes na capital

A AMA/UBS Pari, na região central, é a unidade que mais atende imigrantes na capital e reúne pacientes de 87 nacionalidades. Referência no cuidado a imigrantes, o serviço da Prefeitura de São Paulo se destaca por garantir acesso à saúde mesmo diante de barreiras linguísticas e culturais.

Um levantamento realizado em março de 2026 mostrou que 22,7% dos pacientes cadastrados na Assistência Médica Ambulatorial/Unidade Básica de Saúde (AMA/UBS) Pari são imigrantes. Desse contingente, os mais numerosos são os bolivianos: 4.535 pessoas. Em seguida, vêm os imigrantes do Paraguai, com 1.801 pessoas; Bangladesh, com 991; Equador, com 549; e Venezuela, com 302.

A marroquina Warda Matoual, de 28 anos, é mãe de T.E., uma garotinha paulistana que nasceu em dezembro. O acompanhamento de pré-natal, incluindo consultas, exames e vacinas, foi feito integralmente pela rede municipal de saúde de São Paulo, assim como o parto no Hospital Municipal Dr. Ignácio Proença de Gouvêa. “O atendimento público de saúde é muito bom no Brasil”, elogia. 

Com falantes de diferentes línguas, aplicativos de tradução facilitam a comunicação nas unidades de saúde. Também há quem prefira levar um acompanhante que fale português para a consulta ou ligar para algum conhecido durante o atendimento.

“Como sou boliviano, faço a consulta em espanhol com os pacientes que não entendem português para que eles se sintam mais à vontade”, conta o médico Zenon Becerra Puyal, que trabalha há 17 anos na UBS Pari. Para se ter uma ideia, dos 18 pacientes atendidos por ele em uma manhã, apenas três eram brasileiros.

Uma de suas pacientes é a compatriota Petrona Choque Solari, de 65 anos, que frequenta a UBS/AMA Pari há 25 anos. “Antes de fazer 50 anos eu não ia muito ao médico. Agora eu faço acompanhamento para o colesterol e diabetes. Ele pega no meu pé e diz que eu preciso comer menos arroz e macarrão”, brinca.

Entre 2021 e dezembro de 2025, a AMA/UBS Pari realizou 119.084 atendimentos a imigrantes, mas a unidade de saúde não é a única. No mesmo período, a UBS Belenzinho, na Zona Leste, teve 57.795 atendimentos, enquanto as UBSs Brás, República e Bom Retiro, todas também localizadas na região central, registraram 45.773, 34.637 e 31.918 atendimentos, respectivamente.

Do espanhol ao bengali
“Pensando no atendimento da pessoa imigrante, nós fizemos uma sensibilização com os profissionais de saúde de todas as categorias e investimos em comunicação visual, como panfletos e cartazes em espanhol, inglês, francês, árabe e chinês, para facilitar a comunicação, além de contarmos com profissionais bilíngues no nosso corpo clínico”, explica a gerente da unidade, Elaine Motolo.

Elaine ressalta que a equipe “busca acolher os pacientes, respeitando suas especificidades culturais, para garantir que eles compreendam o tratamento e o plano de cuidado que precisam seguir”. Segundo a gerente, todos os materiais informativos usados nas ações de saúde reforçam que o atendimento na rede municipal é gratuito.

Uma cidade cosmopolita
De acordo com o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2010 e 2022 houve um aumento de 70,3% no número de residentes naturais de países estrangeiros. A Organização Internacional para as Migrações (OIM) registra que, dos 1,7 milhões de imigrantes vivendo no Brasil hoje, cerca de 20,6% estão em São Paulo.

A angolana Mbuanda Panzo Nonó Miguel, de 37 anos, e seus dois filhos são atendidos há três anos na UBS Pari. Ela faz consultas com clínico geral, ginecologista e dentista, enquanto as crianças passam com o pediatra da unidade. “O sistema público de saúde de Angola é uma confusão, muito demorado e não fornece os medicamentos. Quando meus filhos ficavam doentes lá no meu país, eu preferia levá-los no particular porque era mais rápido”, conta.

Para a médica Marcela Maria Hypolito da Silva, muitos imigrantes ficam surpresos ao serem atendidos pela rede pública. “Os pacientes dizem que os países deles têm serviço público de saúde, mas que não se compara com o nosso. É mais para emergência. Eles ficam receosos e perguntam se terão que pagar alguma coisa”, conta. “Eles têm muita gratidão por ter acesso à saúde aqui. Eles nos tratam com muito respeito e seguem o que prescrevemos. Meus pacientes bolivianos, por exemplo, me chamam de ‘doctorita’”, diverte-se.

As 481 UBSs da cidade de São Paulo são a porta de entrada para o atendimento em saúde na rede municipal. A população pode encontrar o serviço mais próximo por meio da plataforma Busca Saúde: https://buscasaude.prefeitura.sp.gov.br/
 

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