Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social
Sonhos que nunca acabam: depois dos 60, participantes do CRECI encontram o que a vida adiou

Mileide Alcantara
“Estou na aula de sapateado, na aula de instrumentos, tudo o que eu nunca fiz.” Ilce dos santos, de 69 anos costumava passar antigamente todos os dias poucas quadras do Centro de Referência do Idoso (CRECI). Começou a trabalhar muito jovem e se formou em direito. Quando se aposentou, encontrou no serviço da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) o que a rotina nunca permitiu: tempo para descobrir novas atividades. Hoje, participa de diversas oficinas e integra um coral, no qual também se apresenta artisticamente.
Localizado no Vale do Anhangabaú, O CRECI atende pessoas com 60 anos ou mais em situação de vulnerabilidade social. O serviço promove o envelhecimento ativo, a convivência e a garantia de direitos, através de oficinas, atividades de convívio social e atendimento especializado. Neste ano, mais de 1.500 pessoas idosas já passaram pelo serviço. Entre elas, duas frequentadoras mostram, cada uma à sua maneira, que sempre dá tempo de começar.
Do escritório ao palco
Ilce começou a trabalhar ainda muito jovem, enquanto estudava. O emprego em um escritório a ajudou a pagar a faculdade de Direito, profissão que exerceu durante anos nas áreas civil e previdenciária. Hoje, não atua mais na área e diz que prefere dançar.
A paixão pelo conhecimento vem de casa. O pai mantinha enciclopédias e coleções de livros em casa e exigia que os filhos tivessem hora para ler. “Ele deixou dentro de nós o interesse em aprender”, conta.
No CRECI, Ilce descobriu aulas de instrumentos musicais e de pandeiro, com professores que apresentam diferentes histórias e ritmos. Assim, encontrou novas formas de se aproximar da cultura e da arte, interesses que sempre fizeram parte de sua vida. Entre os sonhos que ainda guarda está o de voltar a tocar piano, instrumento que estudou, mas acabou deixando de lado.
O samba que atravessa a vida
Margaret Guilherme, de 79 anos sempre teve a música no seu caminho. Nascida em fevereiro, mês que costuma ocorrer o Carnaval, ela soma 47 anos de história com a escola de samba Vai-Vai e, há 13 anos, integra a Velha Guarda da agremiação.
Ao longo da vida, dividiu seu tempo entre diferentes atividades profissionais. Trabalhou em dois hospitais, atendia clientes em casa como cabeleireira e nunca deixou de frequentar os ensaios de sua escola do coração.
Margaret chegou ao CRECI por meio do samba. Hoje, toca tamborim, tambor e pandeiro. Alguns desses instrumentos já estavam guardados em casa, mas só voltaram a ser utilizados depois que ela começou a frequentar as oficinas. No serviço, encontrou espaço para se expressar e ampliar seus conhecimentos musicais.
Aos quase 80 anos, ela se define como “muito ativa”. Além das atividades no CRECI, participa de oficinas de música e de um coral. A única atividade que precisou deixar foi a zumba, após uma lesão no joelho. “Para mim, é muito gratificante ter esse CRECI aqui”, resume.
Entre o sapateado, os instrumentos de percussão e as apresentações artísticas, Ilce e Margaret seguem uma rotina que escolheram construir depois dos 60: aprender, tocar, dançar e se apresentar. Para as duas, o CRECI é o lugar onde os sonhos que ficaram para depois encontram espaço para acontecer.
Nas palavras de Ilce, “os sonhos, independentemente da idade, nunca acabam”.
Centro de Referência da Cidadania da Pessoa Idosa (CRECI)
Endereço: Rua Formosa, 215, Vale do Anhangabaú, Centro, São Paulo
Funcionamento: segunda a sexta-feira, das 8h às 17h
Público: pessoas com 60 anos ou mais
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