Notícia na íntegra
Prefeitura investe mais de R$ 11 bilhões em drenagem desde 2021, o dobro do valor nos 18 anos anteriores

Entre 2021 e 2026, a Prefeitura de São Paulo investiu o valor recorde de mais de R$ 11 bilhões em obras de drenagem e combate a enchentes — mais que o dobro do montante aplicado nos dezoito anos anteriores (cerca de R$ 5, 29 bilhões, entre 2003 e 2020). Essa ampliação orçamentária integra uma estratégia global de adaptação climática que alia obras tradicionais de engenharia, como reservatórios e canalizações, a Soluções Baseadas na Natureza (SBNs), como a implantação de parques esponja e a ampliação contínua de áreas verdes protegidas.
O conjunto de investimentos reflete a prioridade da gestão em preparar a capital para o aumento de eventos de chuvas extremas decorrentes das mudanças climáticas. Para garantir a eficácia dessas medidas, a cidade — única da América Latina a contar com uma Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas (SECLIMA) — instituiu o Orçamento Climático, coordenado pelo CGI-Clima. O mecanismo prevê R$ 28,8 bilhões para 2026 e integra as metas do PlanClima SP diretamente ao ciclo orçamentário anual, monitorando ações de mitigação e resiliência até 2050.
O volume de recursos destinados ao combate às enchentes integra uma estratégia que combina ampliação da infraestrutura, manutenção preventiva e planejamento de longo prazo. “É um conjunto de obras importantes e fundamentais neste momento vivido não só pela cidade de São Paulo, mas pelo mundo: o das mudanças climáticas, que têm grande impacto nos alagamentos. Isso ocorre porque um volume muito grande de água cai em um intervalo curto de tempo”, disse o prefeito Ricardo Nunes. Nesta quinta-feira (15), ele vistoriou o andamento das obras do Reservatório Lapenna, em São Miguel Paulista, na Zona Leste.
Para 2027, estão previstos R$ 2,37 bilhões para drenagem, dentro dos investimentos previstos no Projeto de Lei do Orçamento Anual (PLOA) de 2027, enviado à Câmara Municipal em 30 de setembro.
Desde 2021, foram concluídas 756 obras relacionadas à drenagem, ao controle de cheias e à redução de riscos. Entre os destaques estão nove reservatórios entregues e outras 220 intervenções, que incluem a recuperação de mais de 62 mil metros de galerias e córregos. Atualmente, outras 60 obras estão em andamento: 45 intervenções em córregos, 10 reservatórios, além do Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR), que foi publicado e cumpre o cronograma estabelecido.
Obras ampliam a capacidade de controle de cheias
Entre os reservatórios entregues desde 2021 estão estruturas como o Ribeirão Aricanduva, na Penha; o Paciência, na região de Vila Maria e Vila Guilherme; o Taboão, na região do Aricanduva; e os reservatórios e pôlderes de Vila Itaim, Vila Any e Jardim Helena, em São Miguel Paulista, além das estruturas Perus R1, R2 e R3, em Perus.
Outros 10 reservatórios estão em obras. Entre eles, os projetos do Morro do S, no Campo Limpo; do Córrego Antonico, no Butantã; do Jardim Lapenna, em São Miguel Paulista; do Carumbé, na região da Freguesia do Ó e Brasilândia; e do Mooca II, na Vila Prudente.
Os reservatórios do Morro do S e do Carumbé já estão em operação e têm conclusão integral das obras prevista para dezembro de 2026. O reservatório do Jardim Lapenna também já auxilia no combate às cheias, com conclusão prevista para janeiro de 2027. Já os reservatórios do Antonico e da Mooca têm entregas previstas para fevereiro e maio de 2027, respectivamente.
Segundo dados da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (SIURB), os seis reservatórios entregues e os dez em obras representam um incremento de 27% na capacidade de reservação do sistema de drenagem municipal, passando de 6.929.290 m³ para 8.791.990 m³. Além disso, esses dezesseis reservatórios reduzem a área alagável da cidade em 1.369.000 m² (equivalente a 192 campos de futebol).
A Prefeitura também concluiu 21 obras de canalização de córregos e construção de galerias desde 2021, enquanto outras 45 intervenções desse tipo estão em andamento. As ações incluem ainda 363 obras de contenção de margens de córregos executadas pela Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras (SIURB), das quais 109 em áreas de risco monitoradas pela Defesa Civil, além de 85 intervenções realizadas pela Secretaria Municipal das Subprefeituras (SMSUB) em áreas de risco e de controle de cheias.
A estratégia também conta com os Cadernos de Bacias Hidrográficas, instrumentos técnicos que orientam o diagnóstico e o planejamento das intervenções. Desde 2021, foram entregues 31 cadernos, e a Prefeitura publicou a segunda edição do Plano Diretor de Drenagem antes da atualização mais recente.
Outra frente é o Plano Municipal de Redução de Riscos. Após a elaboração de 121 projetos para áreas de risco e a publicação de sua versão final, em dezembro de 2024, as primeiras licitações foram lançadas em 2025. As obras começaram em seis áreas da cidade, enquanto outras intervenções avançam nas etapas de contratação e licitação.
A ampliação da infraestrutura de drenagem integra o planejamento de investimentos da cidade. A proposta de orçamento enviada à Câmara Municipal prevê R$ 20,6 bilhões em investimentos municipais, o maior volume da história, reforçando a capacidade de planejamento e execução de projetos públicos. Esse montante corresponde ao conjunto dos investimentos previstos para a cidade, e não exclusivamente às ações de drenagem.
Manutenção preventiva e limpeza reforçam combate às enchentes
Além das obras estruturais, a Prefeitura mantém ações permanentes de limpeza e conservação da infraestrutura. Até setembro de 2026, foram retiradas 149.572,81 toneladas de detritos dos córregos e limpos 149.492 bueiros, poços de visita e galerias. A Operação Cata-Bagulho recolheu 55.376,75 toneladas de resíduos no período, contribuindo para a retirada de materiais descartados irregularmente nas ruas.
A cidade conta atualmente com 271 equipes voltadas à conservação de galerias, limpeza de córregos, piscinões e serviços de hidrojato, aumento de 29,6% em relação a 2021, quando eram 209 equipes. O número de caminhões hidrojato passou de 24 para 54 em agosto de 2026, enquanto as equipes de limpeza de piscinões cresceram de sete, em 2018, para 76 neste ano.
Proteção de áreas verdes
Além das intervenções diretas de drenagem, a infraestrutura verde atua como pilar complementar de combate aos alagamentos. Entre 2021 e 2026, a capital criou 16 novos parques públicos, que juntos têm 5,5 milhões de m² de área verde, chegando a 124 parques municipais. Destacam-se a concepção de equipamentos como o Parque Fazenda da Juta, projetado no conceito de “parque esponja” para absorver e reter a água da chuva.
Também foram feitos 523 jardins de chuva na cidade, dos quais 374 foram implantados desde 2021, ante 23 existentes em 2017. Essas estruturas contribuem para a infiltração da água no solo e ajudam a reduzir o volume de água que escoa diretamente pelas vias públicas. Além disso, a cidade ganhou 20 bosques urbanos, 19 deles inaugurados nesta gestão, sendo 10 somente em 2026.
Os resultados também aparecem na queda dos registros de alagamentos. Entre janeiro e agosto de 2026, as ocorrências de alagamento e inundação caíram 23% em relação ao mesmo período do ano anterior, de 593 para 457. No período chuvoso de 2025 a 2026, o número de vias públicas alagadas diminuiu de 860 para 380, redução de aproximadamente 55%.
SECOM - Prefeitura de São Paulo
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