Notícia na íntegra
Prefeitura abre concurso nacional para projeto do Parque Municipal do Bixiga
Estão abertas as inscrições para o concurso público nacional que irá selecionar o projeto de arquitetura, urbanismo e paisagismo do Parque Municipal do Bixiga, localizado no bairro da Bela Vista, região central da capital. O período de inscrição e envio de propostas para a primeira fase vai de 27 de janeiro a 22 de março de 2026. Na segunda fase, o recebimento de propostas ocorre entre 7 e 25 de abril de 2026. A divulgação do resultado final está prevista para 4 de maio de 2026.
A iniciativa é da Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente (SVMA), com organização do Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento São Paulo (IABsp), e tem como diretriz central a renaturalização do Córrego Bixiga no trecho que atravessa a área do futuro parque.
O novo equipamento é resultado de uma mobilização social que atravessa mais de quatro décadas e propõe uma nova relação entre espaço público, água e ambiente urbano em uma área densamente consolidada da cidade.
As diretrizes que orientam a elaboração das propostas — as bases do concurso — foram construídas a partir de estudos técnicos, consultas especializadas e do relatório das oficinas participativas realizadas com a população. O processo identificou tanto o desejo coletivo quanto a viabilidade técnica da renaturalização do curso d’água, incorporando ao projeto princípios contemporâneos de adaptação climática, recuperação ambiental e valorização dos rios urbanos como infraestrutura essencial para o futuro das cidades.
O Parque Municipal do Bixiga será o primeiro parque do Centro Expandido projetado por meio de concurso público e o primeiro a adotar a renaturalização de um córrego.
De acordo com o secretário do Verde e do Meio Ambiente, Rodrigo Ashiuchi, a realização de um concurso público para a elaboração do projeto reforça o compromisso da Prefeitura com uma gestão participativa, transparente e integrada, voltada às necessidades reais da população e à valorização da história local. “São Paulo conta hoje com 121 parques, resultado de um investimento contínuo na ampliação dos espaços verdes, de lazer e convivência, e este novo equipamento será mais uma conquista para a cidade”, afirma.
Para a presidente do IABsp, Danielle Santana, o concurso representa uma oportunidade de qualificar o debate sobre a gestão e a construção dos espaços públicos. Segundo ela, o Parque Municipal do Bixiga resulta de um processo que se estendeu por mais de 40 anos, marcado por disputas em torno do uso do território e pela mobilização de diferentes setores da sociedade em defesa de sua incorporação à esfera pública.
A iniciativa, afirma, expressa um amadurecimento democrático na condução das políticas urbanas e reconhece a diversidade de grupos que historicamente ocuparam e seguem atribuindo significado ao bairro. Construído a partir de dados técnicos e enriquecido pelo processo participativo, o concurso propõe não apenas selecionar o projeto mais adequado para o Bixiga e seu entorno, mas também apontar caminhos mais democráticos para a gestão e a produção dos espaços públicos.
Estrutura do concurso
O concurso será realizado em duas fases, formato que permite avaliação técnica criteriosa, aprofundamento das soluções selecionadas e qualificação progressiva das propostas.
Na primeira etapa, serão selecionadas cinco propostas, cujos autores receberão prêmio de R$ 18 mil cada e serão convidados a detalhar e aprimorar suas soluções para a fase seguinte. Ao final da segunda etapa, as três melhores propostas serão classificadas em primeiro, segundo e terceiro lugares, com prêmios de R$ 130 mil, R$ 60 mil e R$ 40 mil, respectivamente. O autor da proposta vencedora será contratado para o desenvolvimento das etapas subsequentes do projeto.
Todas as informações necessárias para inscrição e participação estão disponíveis no site oficial. Podem participar arquitetas e arquitetos do Brasil e do exterior, com registro ativo e válido junto ao Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU).
Sobre o Bixiga e o parque
O Bixiga construiu, ao longo do tempo, uma trajetória marcada pela diversidade social, pela resistência cultural e por um forte vínculo com seu território. Desde o final do século 19, a área acolheu populações negras estabelecidas nas proximidades do córrego Saracura, além de escravizados recém-libertos e, posteriormente, imigrantes italianos. Essa convivência deu origem a um patrimônio cultural singular, expresso tanto no conjunto arquitetônico quanto em manifestações imateriais ainda presentes no cotidiano do bairro.
A área destinada ao parque esteve no centro de um longo embate político iniciado nos anos 1980, envolvendo interesses privados, a preservação da paisagem urbana da Bela Vista, a permanência do Teatro Oficina e a reivindicação por espaços públicos no centro da cidade. A consolidação do Parque Municipal do Bixiga, compromisso da Prefeitura de São Paulo por meio da SVMA, representa o desfecho desse processo e reafirma o papel dos parques municipais como equipamentos capazes de articular qualidade ambiental, convivência urbana e transformação social, além de contribuir para soluções estruturais de infraestrutura verde na capital.
SECOM - Prefeitura de São Paulo
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