Notícia na íntegra
Prefeitura trabalha para reverter medida sobre Lei de Zoneamento que afeta interesse público
Uma decisão liminar do Tribunal de Justiça de São Paulo, no dia 24 de fevereiro, suspendeu a aplicação das regras atualizadas de zoneamento urbano da capital, o que tem impedido emissão de alvarás e levado à paralisação de parte das obras imobiliárias na cidade. A medida atende a um pedido do Ministério Público de São Paulo, que questiona a revisão aprovada em 2024 sob o argumento de falhas no processo de participação popular. No entanto, foram realizadas 38 audiências públicas. Apesar de convidado para participar de todas elas, o Ministério Público não compareceu a nenhuma.
A decisão não trata do mérito da lei, mas de aspectos formais, e ainda gera dúvidas sobre qual regra deve ser aplicada — se o zoneamento anterior, de 2016, ou se a suspensão afeta apenas trechos específicos da nova legislação. Diante disso, a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL) não pode retomar a emissão de novos alvarás.
A Prefeitura trabalha para reverter a decisão no próprio tribunal, já que se trata de uma liminar individual, ainda sujeita à análise do colegiado. Enquanto isso, o setor imobiliário enfrenta um cenário de insegurança jurídica, com impacto direto no andamento de novos empreendimentos e investimentos na cidade.
A liminar concedida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo na Ação Direta de Inconstitucionalidade provocou a paralisação do licenciamento urbanístico na capital, gerando um efeito em cadeia de insegurança jurídica e travamento administrativo. Atualmente, 4.459 processos estão com a tramitação suspensa, o que representa investimentos interrompidos, redução na geração de empregos e impacto direto na oferta de novas moradias.
Além do setor imobiliário, a medida também afeta o interesse público ao impedir a execução de melhorias urbanas e contrapartidas sociais previstas na legislação. No ano de 2025, a cidade de São Paulo arrecadou diariamente, em média, R$ 4,2 milhões em Outorga Onerosa, fundamental para projetos e ações nas periferias. Com isso, diversos projetos podem ser comprometidos, incluindo mais de R$ 990 milhões destinados à habitação de interesse social e urbanização de favelas, cerca de R$ 540 milhões para obras de infraestrutura, como vias e drenagem, e R$ 278 milhões voltados à qualificação urbana, com investimentos em parques, acessibilidade e requalificação de espaços públicos.
SECOM - Prefeitura de São Paulo
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