Notícia na íntegra
Artistas celebram acolhimento, diversidade e alegria da Virada Cultural
A Virada Cultural 2026 reuniu milhares de pessoas em todas as regiões da capital e, para os artistas que passaram pelos palcos da cidade ao longo do fim de semana, o festival reafirmou uma das marcas mais fortes de São Paulo: a capacidade de transformar cultura em encontro. Em apresentações no Centro e nos bairros, músicos de diferentes estilos celebraram a dimensão popular da Virada, o contato direto com o público e a diversidade artística espalhada por toda a cidade durante 24 horas de programação gratuita.
No Parque do Carmo, na Zona Leste, Thiaguinho resumiu o sentimento de quem sobe aos palcos da Virada. “É uma honra, uma alegria muito grande. A gente vive do povo, de mandar música para eles e poder trocar, cantar junto”, afirmou o cantor, um dos artistas mais aguardados desta edição. Ao destacar a força do samba e do pagode na região, ele disse se sentir honrado em participar da festa. “É um dia que mobiliza todo mundo. Todo mundo sai de casa na intenção de levar o melhor que tem dentro do coração para esse povo que merece muito.” O cantor também falou sobre sua relação afetiva com a capital. “São Paulo é minha casa. Foi onde realizei meu sonho. Estou aqui há 23 anos e é um lugar onde me sinto em casa e sou apaixonado.”
No Anhangabaú, sob os gritos de “Uh, é Periclão”, Péricles definiu a Virada Cultural como uma experiência única para os artistas. “A gente consegue mostrar, por essa ferramenta que é a arte, possibilidades para todos. Isso é grandioso”, afirmou o cantor, que também se apresentou em Cidade Ademar, na Zona Sul, no domingo.
Seu Jorge, que também se apresentou no Anhangabaú neste domingo, destacou a dimensão democrática da Virada Cultural e o alcance do evento para artistas e público. Em sua primeira participação na programação, o cantor afirmou ter se emocionado com a recepção do público no Vale.
“Estou me sentindo muito honrado por participar da Virada Cultural aqui em São Paulo. É a primeira vez que me apresento nesse evento. Muitas pessoas conhecem minhas músicas, já me viram em filmes. Mas também há aqueles que nunca tiveram essa oportunidade. Então, a Virada é também muito importante para nós, artistas, entrarmos em contato com pessoas que vêm de muito longe para nos assistir. Ver o Vale lotado foi emocionante demais para mim”, afirmou.
O artista também ressaltou a diversidade da programação e a estrutura oferecida ao público. “A Virada Cultural significa pluralidade, tem todo tipo de gênero musical, é democrática, gratuita e também conta com muita segurança. Estou orgulhoso da cidade de São Paulo”, completou.
Quem também celebrou a diversidade de ritmos presentes no evento foi o cantor Alexandre Pires, que destacou a amplitude nacional da programação. “É um privilégio estar aqui em São Paulo, nesse evento que conta com tantos ritmos e artistas de todos os cantos do país”, afirmou ele, que encerrou a Virada no Centro com um show lotado no Anhangabaú.
Pertencimento
A ideia da cultura como espaço de acesso e pertencimento também apareceu nas falas de outros artistas. Vocalista do Biquíni Cavadão, Bruno Gouveia afirmou que a Virada “faz São Paulo viver e respirar música”. “Esse é o festival do povo. A gente normalmente toca em casas noturnas muito caras, então é muito especial participar de um evento assim”, disse. Para ele, o público paulistano representa a própria diversidade do país. “O público de São Paulo é o público do Brasil todo misturado.”
No palco de Sapopemba, Dilsinho emocionou o público ao pedir que a plateia acendesse as luzes dos celulares durante a música Duas. Mais tarde, milhares de pessoas cantaram Péssimo Negócio em coro. O cantor agradeceu ao público e à Prefeitura pelo convite e celebrou a recepção calorosa no bairro. “Espero que esta seja a primeira de muitas oportunidades de estar aqui em Sapopemba”, afirmou.
No Butantã, o vocalista Charles da Gama, da banda Black Pantera, destacou o clima da festa. “É uma energia magnífica. A Virada proporciona isso, sempre algo mágico”, disse. Já Ana Canas, que levou ao palco da Brasilândia um show em homenagem a Rita Lee, afirmou que participar da programação foi “uma alegria e uma honra”.
Ocupação cultural da cidade
A diversidade musical da Virada também foi exaltada por artistas da velha-guarda do rock nacional. Tony Bellotto, dos Titãs, destacou a importância da gratuidade e da ocupação cultural da cidade. “A coisa mais legal da Virada é essa democracia: shows de graça em vários lugares da cidade”, afirmou. “É sempre um prazer tocar para pessoas que muitas vezes não conseguem comprar ingresso.” O cantor Badauí, do CPM 22, celebrou o retorno da banda ao festival após cerca de dez anos. “É um evento incrível na cidade inteira, trazendo cultura para a galera. Quanto mais cultura tiver em São Paulo, melhor”, disse. Já Digão, dos Raimundos, destacou a importância de abrir espaço para todos os estilos musicais. “A vibe está incrível. A Virada tem que ter palco não só para o rock, mas para todos os gêneros e para todo mundo ter espaço.”
Após se apresentar no palco Belém, na Zona Leste, o cantor gospel Ton Carfi ressaltou a receptividade do público. “Cantar na Virada Cultural é sempre uma alegria. A nossa música sendo reconhecida pela cidade, pela Prefeitura. O povo estava com uma energia incrível, mesmo com muito frio e chuva em alguns momentos. Foi maravilhoso. Espero estar nas próximas edições também”, disse.
Já a cantora Roberta Miranda destacou a importância da descentralização da programação e do acesso gratuito à cultura em bairros afastados do centro expandido. Em apresentação em Parelheiros, na Zona Sul, a artista afirmou que a Virada aproxima grandes shows de públicos que muitas vezes não conseguem acessar eventos pagos. “O mais importante é isso que está acontecendo: levar os artistas para os bairros, para lugares onde o povo muitas vezes não tem condição de pagar um ingresso para assistir a um show em uma casa fechada. Cada dia a Virada tem que estar em um lugar onde o povo está”, afirmou.
A cantora também destacou a recepção do público nas regiões periféricas da cidade. “Existe uma vibe diferente. A comunidade abraça o artista. É uma satisfação muito grande estar aqui”, disse Roberta Miranda, que também ressaltou sua relação com a capital paulista. “Eu sou paraibana, mas também sou paulistana de coração.”
Cidade acolhedora
A relação afetiva com São Paulo também marcou os depoimentos de artistas do pop e da música popular brasileira. A cantora Luísa Sonza, que se apresentou no Anhangabaú e em São Miguel Paulista, declarou seu amor pela cidade. “Foi a cidade que me acolheu, que me deu muitas oportunidades. É um prazer estar aqui em uma Virada que proporciona cultura, entretenimento, música e arte para todo mundo”, afirmou. Marina Sena, antes de subir ao palco no Centro, resumiu sua empolgação em poucas palavras: “São Paulo é demais”. Wanessa Camargo, em sua segunda participação na Virada Cultural, reforçou a importância social do evento. “Estou muito feliz. Esse evento democratiza a arte”, afirmou após show na Parada Inglesa.
Participando pela quarta vez da Virada Cultural, Beto Barbosa celebrou sua estreia em Parelheiros, na Zona Sul, e destacou a pluralidade da capital paulista. “São Paulo é a maior capital nordestina do Brasil e aqui também vivem muitas pessoas da região Norte. A Virada junta todas as cabeças do Brasil”, afirmou.
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